Pinturas coloniais ‘reaparecem’ durante restauração e podem ser visitadas em museu de Tiradentes

Após remoção de camadas, ficou mais fácil ver as pinturas decorativas Foto: Alberto Lopes/FRMFA
Após remoção de camadas, ficou mais fácil ver as pinturas decorativas. Foto: Alberto Lopes/FRMFA.

Pinturas decorativas do período colonial (1530 a 1822) que estavam debaixo de camadas de tinta em paredes de uma sala do Museu Casa Padre Toledo, em Tiradentes, na Região Central de Minas Gerais, reapareceram durante restauração.

O processo teve início em janeiro deste ano – está na terceira e penúltima etapa – e a conclusão está prevista para novembro.

As pinturas podem ser visitadas na sala do torreão do casarão bicentenário, que abriga o museu da Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade (FRMFA) e é integrado ao Campus Cultural Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). (Veja no fim da reportagem os dias e horários em que os passeios podem ser feitos).

Elas foram redescobertas, provavelmente, na década de 1980. Entre 2010 e 2012 foram realizados diagnósticos e estudos, mas apenas em 2022 foi possível iniciar os trabalhos de restauração.

Pinturas coloniais foram redescobertas no Museu Casa Padre Toledo, em Tiradentes
Pinturas coloniais foram redescobertas no Museu Casa Padre Toledo, em Tiradentes
Foto: Alberto Lopes/FRMFA

Uma equipe com 11 profissionais – entre restauradores, pesquisadores e técnicos, realiza a restauração que, atualmente, após a remoção das camadas de repintura, encontra-se na fase de nivelamento e preenchimento de lacunas, trincas e pontos com perda de reboco. Na etapa final, serão feitas a reintegração cromática e a apresentação estética das ornamentações.

As pinturas são raras referências de ornamentação em imóveis civis do período colonial. Na região do barrado havia 13 camadas de tinta sobre elas – resultado das diversas intervenções e usos do casarão ao longo dos últimos dois séculos.

O casarão é composto também de outras 11 salas, com forros pintados, e foi residência do padre Carlos Correia de Toledo e Melo, um dos grandes nomes da Inconfidência Mineira.

As pinturas murais tornam-se mais um bem integrado ao museu e propiciarão ações de pesquisa, formação e comunicação museológica.

Pinturas reaparecem durante trabalho de restauração
Pinturas reaparecem durante trabalho de restauração
Foto: Alberto Lopes/FRMFA

Influência do rococó francês

Segundo a professora Verona Segantini, presidente da FRMFA e coordenadora do projeto, a etapa de remoção está em estágio avançado, o que possibilita a visualização das pinturas de forma mais clara.

De acordo com ela, os horários de visitação foram ampliados para que o museu receba o público e, sobretudo, grupos interessados em conhecer os processos de restauração.

À frente da parte técnica do trabalho está o restaurador André Luis de Andrade, graduado em Conservação-Restauração de Bens Culturais pela UFMG e mestrando em preservação do patrimônio cultural pelo Centro Lúcio Costa, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“É possível analisar novos aspectos estilísticos, técnicos e o estado de conservação com maior precisão. A pintura das paredes do torreão apresenta uma composição floral caracterizada como imitação de tecido de seda lavrada, influência do rococó francês, representada pela decoração composta por ramos florais assimétricos intercalados por ramos vegetais em composição em losangos, distribuídos sobre fundo em imitação de damasco”.

Técnicos especialistas trabalham no 'resgate' patrimonial
Técnicos especialistas trabalham no ‘resgate’ patrimonial
Foto: Alberto Lopes/FRMFA

Essas características, de acordo com Andrade, possibilitam a identificação do trabalho como feito no período do Rococó em Minas Gerais.

A intervenção é acompanhada por um grupo técnico – formado por conservadores, restauradores, professores e pesquisadores de diferentes instituições e também pelo Iphan –, que dá suporte às ações e decisões conceituais e técnicas para a restauração.

Museu Casa Padre Toledo

A antiga Casa do Padre Toledo foi transformada, em 1971, em um museu vinculado à FRMFA, atualmente fundação de apoio à cultura da UFMG. Em razão da representatividade arquitetônica, histórica e artística, o casarão foi tombado individualmente pelo Iphan em 1952.

O imóvel tem um conjunto de forros pintados como principal destaque. A missão é preservar o patrimônio histórico, artístico e cultural referenciado em singularidades arquitetônicas, geradas por diferentes técnicas construtivas tradicionais, como pau a pique, adobe e moledo, e elementos artísticos integrados, além de ter sido um dos palcos de um dos principais momentos da história de Minas Gerais no século XVIII.

Mais informações sobre o museu pelo telefone (32) 3355-1257, pelo e-mail campustiradentes@dac.ufmg.br, no site e nos perfis do museu e do Campus Cultural UFMG nas redes sociais.

Restauração está na terceira e penúltima etapa
Restauração está na terceira e penúltima etapa
Foto: Alberto Lopes/FRMFA

Serviço

Visitação às pinturas coloniais

Local: Museu Casa Padre Toledo

Endereço: Rua Padre Toledo, 191, Centro, Tiradentes

Dias/horários: terça a sexta e domingos, das 9h às 17h, e sábados, das 10h às 19h

Também podem ser agendadas visitas pelo e-mail educativomctp@gmail.com

(Por Alex Araújo – G1 MINAS)

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